Etapas para criar uma comunidade da biblioteca nas redes sociais

Social_networking_servicesCriar uma comunidade da biblioteca nas redes sociais é parte do êxito de uma estratégia digital. É a primeira razão pela qual uma biblioteca deve aspirar a estar nas redes sociais. A comunidade não se compõe somente de seguidores; também deve estar cheia de potenciais utilizadores defensores da biblioteca que difundam a mensagem para lá do alcance das (suas) próprias redes digitais. Num clima social digital onde a maioria das pessoas confia nas recomendações que amigos e familiares fazem nas redes sociais, à frente de outras formas de promoção, estes utilizadores são imprescindíveis e é indispensável poder contar com eles.

Criar esta comunidade não é fácil. É necessário que esta comunidade de seguidores da biblioteca nas redes sociais se forme através de uma relação de longa duração e é necessário que a biblioteca nas redes sociais manifeste o apoio à sua comunidade. Isto é assim, uma vez que estas mesmas pessoas são parte da comunidade e quem controla o quê e a quem seguem. Contando com o seu apoio a biblioteca consegue uma verdadeira conexão para além da simples difusão de conteúdos.

Então, como construir essas relações e como pode a biblioteca criar a sua comunidade nas redes sociais? Introduzem-se, a seguir, três etapas para criar e gerir uma comunidade da biblioteca nas redes sociais.

Etapa 1: Criação de um espaço de sentido de comunidade, da biblioteca

O primeiro passo para a criação de um espaço comum de sentido de comunidade da biblioteca nas redes sociais vai ajudá-lo a atrair e a manter seguidores.

As comunidades nas redes sociais são basicamente grupos de utilizadores que se reunem à volta de um interesse comum. A mobilização que ocorre para dar sentido à comunidade pode assumir a forma de seguir, participar, intercambiar e promover conteúdos para dar presença digital à biblioteca. Para qualquer destas formas deve-se construir primeiro uma presença digital social digna, para que as pessoas se agrupem em torno da biblioteca: a leitura e comentários, sobre a biblioteca e os seus serviços, podem ser os núcleos aglutinadores da comunidade.

O fundamento da comunidade nas redes sociais baseia-se na comunicação em dois sentidos, duas vias. Uma via passa pela partilha de conteúdo de alta qualidade que proporciona valor aos seus seguidores. A segunda via é a mais importante: conseguir uma comunidade, nas redes sociais, requere uma maior atenção no que respeita às interações personalizadas e não somente em partilhar conteúdos úteis.

Importa que na comunidade a biblioteca responda a todas as perguntas, agradeça às pessoas que partilhem o seu conteúdo nos seus espaços, que atraia os utilizadores que estão a falar sobre a temática da biblioteca, que aparece na retroalimentação dos comentários negativos e se converta num recurso de informação para os seus utilizadores. Quer isto dizer que a biblioteca deve “conversar”, e assim mostrar um nível de alto compromisso e acessibilidade, que ajude a converter os seus seguidores em membros da comunidade, da biblioteca. Mostrar que se põem as pessoas à frente do que oferece a biblioteca. O mais importante é o utilizador e não a biblioteca. Este é o desafio da biblioteca nas redes sociais e não o contrário.

Oiça os seus seguidores, observe as comunidades de outras bibliotecas nas redes sociais para ter uma ideia de como se utiliza e para aferir as necessidades das pessoas na sua vida social digital. Ou seja, é importante, que o bibliotecário responsável pelas redes sociais não olhe somente à sua comunidade, mas sim que alargue a sua visão.

Etapa 2: Crescimento da comunidade nas redes sociais

Uma vez construída a base da comunidade da biblioteca nas redes sociais, é o momento de escalar. Não só o objetivo é fazer crescer a quantidade de seguidores, mas também construir um público específico nas redes sociais capaz de se comprometer e influenciar a comunidade a que pertence a biblioteca.

Ganhar 10 pessoas comprometidas com a biblioteca nas redes sociais é mais benéfico do que conseguir mais 100 seguidores. Obviamente que a realidade mostra que nem todos os seguidores são iguais e influentes, mas o objetivo principal deve ser conseguir pessoas comprometidas com as propostas da biblioteca e que para além disso possam ser criadores de conteúdos.

Aqui recomendam-se três práticas para cultivar melhores comunidades da biblioteca nas redes sociais.

Participar em conversações estratégicas

Encontrar gente que represente os membros da comunidade e estabelecer uma conversa con ela: essas pessoas devem estar interessadas em conhecer os temas propostos pela biblioteca, devem estar comprometidas e participar regularmente nas redes sociais. A ideia é chegar a toda a comunidade através delas e que participem em conversas nas redes sociais sobre as temáticas da biblioteca. Por isso é muito importante que o bibliotecário encarregado das redes sociais interaja com elas para fazer crescer a comunidade.

Ligar-se com a comunidade offline

Este ponto não se pode perder de vista. Comunicar com a comunidade offline, fora da rede, presencialmente. Estas são as pessoas que vão quotidianamente à biblioteca, para consultar ou levar um livro emprestado. Se encontram o seu espaço nas redes sociais converter-se-ão em amigos incondicionais. Por isso, o responsável das redes sociais da biblioteca tem que assegurar-se que os perfis das páginas estão atualizados e os materiais de promoção físicos estão disponíveis (folhetos, anúncios, volantes, taças, etc.). E não esquecer que as redes sociais devem ser parte de qualquer evento presencial que organize a biblioteca. E deve-se pedir à comunidade que partilhe conteúdos sobre a biblioteca. Por exemplo, usando o Foursquare, twitando desde a biblioteca, utilizando uma hashtag, e publicando fotos no Instagram. Quando as pessoas que vão à biblioteca conhecem estes espaços virtuais é surpreendente o seu interesse em neles participar.

Ser generoso

Ser generoso implica valorizar aqueles membros da comunidade que se comprometem, que seguem a biblioteca. Por isso seria interesante premiar estas pessoas. Enviar-lhes algum presente se se pode, homenageá-la, destacar a sua participação, e quiçá escrever-lhe uma mensagem na sua caixa de correio ou no seu perfil pessoal. Esta atitude será recompensada dez vezes e os outros utilizadores sentirão o valor de pertencer à comunidade.

Uma vez que tenha crescido a comunidade da biblioteca nas redes sociais, nunca se pode esquecer a dinamização da sua participação. É necessário manter esse compromisso com a biblioteca em todos os âmbitos ou a comunidade desaparecerá.

Etapa 3: Aproveitando os Meios de Comunicação Social da Comunidade

Nos Media Social e nas redes sociais há que trabalhar muito para construir uma comunidade. Para além das muitíssimas estratégias que se podem aproveitar para alcançar os objetivos propostos nestes espaços. É importante nunca ignorar os princípios nos quais se baseou a construção da comunidade. Satisfazer-se com somar seguidores á atirar pela borda fora rapidamente o conseguido ao longo do tempo.

Por isso nesta última parte quero partilhar algumas ideias para seguir aprovechando a comunidade nas redes sociais:

Obter retroalimentação  

Realizar sondagens e questionários para fazer perguntas à comunidade sobre os serviços da biblioteca. Procurar a honestidade, e que digam a verdade. Estes comentários ajudam-nos a dar forma à intervenção da biblioteca nas redes sociais e às estratégias para melhorar e seguir em frente.

Crowdsourcing

O conteúdo gerado pelos utilizadores é um dos maiores benefícios da comunidade nas redes sociais. Se a comunidade está comprometida é certo que os conteúdos serão a principal ação que se gerará nestes espaços. Um exemplo é perguntar aos seguidores no Twitter sobre os serviços da biblioteca e utilizar a sua resposta como inspiração para um blogue. Também pode fazer-se um concurso de fotografias sobre a biblioteca e publicá-las no Instagram.

Amplificar as suas notícias

Quando a biblioteca tem que fazer um grande anúncio ou notícia que deseja partilhar amplamente, deve dirigir-se à sua comunidade en busca de ajuda para a sua difusão. Isto não só beneficia o alcance das suas notícias, mas também o impacto, já que, como se mencionou anteriormente, as pessoas confiam nos seus amigos e familiares mais do que tudo. Conseguir que os utilizadores ou seguidores partilhem conteúdos sobre algo da biblioteca é conseguir que a comunidade transcenda o espaço para outros mundos donde virão certamente mais pessoas para a biblioteca, nas redes sociais.

[tradução livre]

Sobre Jorge Borges

Professor.
Esta entrada foi publicada em Bibliotecas. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s