Usar bem a WEB na Escola, na Educação

tic A WEB  usada correctamente constitui-se como o recurso mais notável no processo de ensino e da aprendizagem de todos, alunos e professores.

A Internet, a REDE/WEB  é uma poderosa ferramenta educativa, mas todavia muitos estudantes vêm nela o paraíso do corta e cola, grátis, fácil e rápido.

Nem as enciclopédias nem os pais. A Rede é a primeira fonte a que os jovens acorrem para obter informação na hora de fazer os  trabalhos em casa. É já a opção número um para a maioria dos alunos  entre os 12 e os 21 anos, penso. Uma boa percentagem de menores usa-a, maioritariamente, como apoio ao estudo, suponho também.

A grande questão é como a usam.  Antes iam à  biblioteca e se queriam copiar, podiam, mas necessitavam  de mais esforço: demoravam meia tarde a reproduzir com a sua própria letra o que liam nos livros, e terminavam percebendo parte do trabalho. Agora não. E há exemplos grotescos. Há alunos que copiam até o nome da autora original, que era uma mulher. Não lêem sequer o que copiam. Alguns são mais espertos e ao menos parafraseiam, mas pouco mais. Ou, como já me aconteceu quando dava aulas de Literatura no ensino secundário: Alguns alunos  escrevem, usam palavras que nem sequer percebem. Coisas como ‘pessimismo existencial’, ‘aqui se percebe a influencia de Kafka’ ou um ‘neste fragmento observam-se ecos surrealistas’. O professor sabe perfeitamente quem maneja esses conceitos e quem não.

Por isso, na era da Internet, o professor recupera protagonismo. Nenhum docente com formação específica em novas tecnologias (TIC) deve temer minimamente páginas como el rincón del vago, um popular e sítio gratuito donde é possível descarregar todo o tipo de monografias e trabalhos. O problema põe-se quando usamos a Rede com esquemas didácticos do passado. Como se copia quando o que se lhes pede é que cataloguem, fotografem e se informem sobre as propriedades e características das árvores que há nas suas, ou numa qualquer cidade?

Sobre um mapa de uma qualquer cidade, os alunos vão colocando as árvores que viram. Estiveram lá. Por exemplo, um limoeiro. Documentam as suas características, descrevem-no, relatam a história do seu cultivo, falam das flores e dos frutos que dá. Cooperam. Os colegas podem ver o que cada um fez, e valorizar, ampliar, criticar e debater cada uma das partes do trabalho. Apresenta-se-lhes uma situação problemática. Não interessa que reproduzam o que viram na turma, sim que o apliquem, o entendam e apresentem soluções.

Não têm caderno. Mas estes adolescentes, que cresceram com a Internet, deixam a sua marca no blogue como nos cadernos, estojos ou mochilas, em que senos e cosenos conviviam com desenhos, corações, e dedicatórias. O autor da tarefa sobre o limoeiro coloca um smile de olhos protuberantes e ao lado escreve: “Para ti, Robert Dawney junior, por interpretares o meu herói preferido: Iron Man”.

João (nome fictício), de 13 anos, frequenta uma escola pública de Lisboa. Quando chega a casa, liga-se à Internet e usa-a  para fazer os deveres. Procura palavras que não entende, consulta a agenda de actividades que tem que cumprir para o dia seguinte no blogue da sua escola. Usa o Messenger para os trabalhos em grupo: “Se um vive em Oeiras, outro em Benfica e outro em Alvalade, perdem muito tempo para se encontrarem. Assim comunicando por chat, cada um faz a  sua parte, acertam-se, e cada qual revê o trabalho do outro até que o terminam”.

Quando têm dúvidas, também se ligam ao Messenger e há sempre algum companheiro ligado (o sms também funciona). Alguns não copiam, mas há quem de vez em quando passe as soluções dos deveres fotografando-os com o telemóvel (por exemplo, o gráfico de uma função matemática).

Se o João e os seus companheiros estivessem juntos numa biblioteca é provável que fizessem algo similar: fariam perguntas um ao outro, falariam das suas coisas, e se houvesse que copiar, copiava-se do caderno do colega do lado. Mas a sua mãe, Maria Emília, não vê a Internet com tanta naturalidade como o seu filho. “Custou-me bastante comprar-lhe um computador, mas no final cedi. Na escola deram-nos a entender que aquele que não tiver Internet em casa irá atrasar-se. Eu resistia, preferia que fosse a um centro lúdico, a uma biblioteca, ou que fizesse os deveres no colégio. Mas todos os dias me dizia: ‘Tenho que pesquisar isto ou aquilo’ e por fim cedi. Agora sim, sou dura nisto: tenho um controle das páginas que vê  marco-lhe um tempo de uso”, poderia explicar. Crê que mais que estudar, o que faz o seu filho é “ver vídeos absurdos e conversar no chat“. Ela orienta-se bem na Rede, o seu filho não a supera em conhecimentos. Ainda assim, “é difícil vigiar o que faz exactamente. Volto do trabalho às oito da tarde, cansada e com muito por faezr em casa…”, poderia admitir.

Os  jovens cada vez utilizam mais cedo  a Rede. É um facto, e é imparável. É cada vez mais comum crianças de oito anos, quando vão a casa dos avós, não pararem de perguntar: ‘Porque é que aqui não há Internet?”. Os filhos vão sempre à frente. Usam a Internet para comunicar, para o ócio e para estudar com total normalidade. Os pais sabem o que os seus filhos fazem na Internet a idades tempranas, mas a situação muda quando ultrapassam os 12 anos. O que mais os preocupa é que deixem dados pessoais por aí, e quando lhes perguntamos se receiam que o seu filho abra um perfil dizem que não, e é exactamente o mesmo. A solução é sentar-se com eles, falar e instalar filtros de controle.

Se se trata de crianças, o alarme acentua-se. Uma recomendação básica é que não tenham o computador no seu quarto. Mas muitos dos temores dos pais, sobre se a Internet os distrai quando fazem tarefas da escola ou se vão para páginas menos próprias, dissipar-se-iam em grande medida se vissem e soubessem como funcionam as turmas que usam bem a tecnologia.

Começaria assim: “Liguem o computador”. Cada um dos 23 alunos de oito anos abre o seu portátil e começa a trabalhar. Animais vertebrados e invertebrados. Estão a aprender a classificação dos seres vivos, mas fazem-no preparando uma apresentação, em PowerPoint, a que associam fotos, explicam com as suas próprias palavras o que foram vendo com o professor e fazem correcções no ecrã do computador. Sublinham o livro virtual, que não se danifica. Depois, apresentarão, diante de todos, com um projector, os seus resumos. “Não se trata tanto de fazer uma apresentação bonita, mas também, como de aprender a hierarquizar, a classificar. O docente tem ao seu alcance o mundo, e os alunos têm que aprender a tê-lo ao seu alcance. Se no meio da aula alguém menciona O Principezinho, num minuto cada um o terá à frente, podemos encontrar o fragmento que nos interessa. Se falamos de Amália, podemos escutá-la ali mesmo e atentar nos seus poemas. O objectivo é que saibam pesquisar, através de perguntas relevantes, pautadas. Aqui não há nada que copiar”.

A velocidade e habilidade com que manejam as tecnologias permite obter melhores resultados, mas não basta saber encontrar informação, há que elaborá-la, contrastá-la e comunicar o aprendido”. Só assim haverá apropriação.

Agora, todas as escolas têm recursos tecnológicos e banda larga. Mas o mais importante é a formação contínua dos professores. À parte de recursos didácticos que cada qual pode descarregar, adaptar ou produzir, deverá criar-se como que uma rede de escrutinadores em cada escola que apoiam e ajudam os seus companheiros (Equipa TIC?).

A Equipa Computadores Redes e Internet na Escola (eCRIE) fez pela primeira vez formação de formadores (600) e formou em TIC, 20 000 docentes (2005-2007). Mas ficou muito por fazer. E esta é a chave, porque se amanhã em cada escola houver um portátil por aluno, a maioria dos professores não saberá o que fazer com ele, como leccionar assim. Requere-se experiência.

Da minha própria experiência com a formação de formadores e de professores não me custa admitir que há grupos (ilhas) realmente avançados, gente muito preparada que não só conhece bem a sua matéria, como também sabe como aplicar as tecnologias para melhorar as aprendizagens. Contudo, convivem com muitos também formados,  muito reticentes, e ao fim e ao cabo em muitas escolas  só usa os computadores o coordenador TIC.

Há muito por fazer. E existem diferenças substanciais entre escolas, que avançam a velocidades muito diferentes. É um processo gradual, mas deu-se um grande salto. Há cinco anos, salvo excepções que as havia, era impensável que nas escolas se usasse a Internet para fazer os exercícios. Somos uma referência na Europa, com o Reino Unido e a Espanha, na implantação das TIC na educação. Os indivíduos, os professores, são a peça fundamental. Numa escola basta haver 3 muito proactivos, para que vejamos como brota e se contagia  o interesse.

Daí a desenhar , tarefas, deveres, para aqueles alunos para quem a cópia seja prática corrente, porque são pessoais e geram uma aprendizagem activa, ainda falta outro salto que muitos começam a dar.

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Utilizador “copia e cola”

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Sobre Jorge Borges

Professor.
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3 respostas a Usar bem a WEB na Escola, na Educação

  1. Bom artigo!! Vou reencaminhá-lo para os colegas da escola.

  2. Raquel Pinto diz:

    Achei este artigo bastante interessante por isso vou reencaminhá-lo para os colaboradores do portal Aprojecto, porque vem ao encontro objectivo do mesmo e nos problemas trazidos na divulgação de conteúdos..!

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