Jesús Mosterín: “A Internet é o reino da liberdade absoluta”

O filósofo publica ‘La cultura humana’, um livro de divulgação sobre as formas culturais

O filósofo Jesús Mosterín, em 2006.- CONSUELO BAUTISTA

O filósofo Jesús Mosterín, em 2006.- CONSUELO BAUTISTA

Nunca se considerou o filósofo Jesús Mosterín como um científico isolado do mundo ou como um intelectual desligado da sociedade. Pelo contrário. Quiçá seja este catedrático de Lógica e Filosofia da Ciência, nascido em Bilbau em 1941, um dos pensadores espanhóis que mais contribuiu para a divulgação da sua especialidade. Investigador do Conselho Superior de Investigações Científicas e autor de mais de uma vintena de livros, Mosterín acaba de publicar La cultura humana (Espasa), um ensaio onde analisa conceitos básicos, ao mesmo tempo que traça una panorâmica das mudanças culturais, desde a origem da escrita até à Internet passando pelas manifestações audiovisuais, a roupa ou as viagens.

Desde a perspectiva de filósofo generalista, não hesita ao assinalar que “a Internet é o reino da liberdade absoluta”. “Trata-se de um sistema”, acrescenta, “onde nada pode entrar para interferir ou para proibir. Nem os governos, nem a Igreja, nem os partidos políticos, nem os bancos… De facto, inclusive tenho dúvidas sobre a possibilidade de vigiar o uso da pornografia através da rede. Agora bem, a Internet supõe uma revolução nos usos e costumes, mas por suposto não é a primeira nem a mais importante na história da humanidade. Basta recordar, por exemplo, o que significou o Neolítico com a chegada da agricultura e da sociedade sedentária ou a invenção da escrita ou da roda, a construção das cidades, a aparição da imprensa ou a chegada da aviação. De todos os modos, a cultura sempre teve problemas de liberdade de expressão e essa barreira rompeu-a a Internet definitivamente”.

A partir da premissa de que a revolução da Internet, -unida à generalização das viagens até limites incríveis-,  terminou com o isolamento de qualquer sociedade, Mosterín não crê que essa globalização tenha eliminado a diversidade cultural. “É certo”, comenta o ensaísta, “que pode existir um certo risco de uniformidade no vestir ou em alguns costumes. Não obstante, o rasgo definitivo da globalização passa pela perda da ligação a um território. Quer dizer, há um século um espanhol só podia provar comida chinesa se viajasse ate à  outra parte do mundo e agora tem um restaurante asiático em cada esquina”.

Autor de obras como Ciencia viva y La cultura de la libertad, Jesús Mosterín propõs-se com a sua última obra contribuir para a clareza e o rigor das ideias. “Empregam-se hoje em dia muitos conceitos confusos e equívocos em relação à cultura”, explica o professor. Depois de lamentar a escassa divulgação científica que se publica em Espanha, o filósofo Mosterín afirma que muitos professores universitários estão obcecados com temas burocráticos e administrativos em vez de investigar e escrever. “A diferença dos seus colegas de outros países europeus ou dos Estados Unidos, é a de que não se propõem divulgar os seus conhecimentos através dos livros e dos meios de comunicação. Está claro que o sistema educativo e a imprensa representam os veículos chave para alcançar uma sociedade mais justa e melhor informada”.

FONTE.

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Sobre Jorge Borges

Professor.
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