Estudo de Diagnóstico: a modernização tecnológica do sistema de ensino em Portugal

Documento Integral produzido pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE) do Ministério da Educação.

“Sumário executivo:

No que toca aos principais indicadores de modernização tecnológica, Portugal apresenta nos últimos 5 anos uma evolução muito significativa, observando-se, no entanto, ainda um atraso face à média europeia e aos objectivos traçados no âmbito do Programa Educação e Formação 2010:
• o número de alunos por computador regista uma melhoria na ordem dos 40%; porém, o rácio português é ainda aproximadamente o dobro do finlandês, um dos países de referência no que toca a modernização tecnológica do ensino;
• pese embora o rácio alunos por computador com acesso à Internet ter melhorado cerca de 60%, é ainda 48% superior ao dos países da UE15 e mais do que duplica o finlandês.
Avaliando o grau de modernização tecnológica no ensino com base em três factores críticos – acesso, competências e motivação –, as principais barreiras à modernização tecnológica em Portugal residem nas insuficiências ao nível do acesso (equipamentos e Internet) e das qualificações e competências.
Para este estudo foram analisadas quatro dimensões-chave do estádio de modernização tecnológica:
• tecnologia;
• conteúdos;
• competências;
• investimento e financiamento.


Observam-se oportunidades de melhoria em todas estas áreas.
Ao nível da tecnologia:
• no que se refere a computadores, Portugal apresenta um nível de dotação reduzido, agravado pela elevada percentagem de computadores com mais de três anos (56%), sendo necessário aumentar e requalificar o parque de computadores existente e garantir que são colmatadas as deficiências dos estabelecimentos de ensino mais atrasados;
• também ao nível de equipamentos de apoio, como videoprojectores, impressoras e quadros interactivos, se observam limitações: o rácio de alunos por impressora é superior a 40; aproximadamente 70% dos equipamentos tem mais de 3 anos; o número de videoprojectores é inferior a 1 projector por cada 7 salas de aula e apenas 1/3 das escolas dispõe de quadros interactivos. A reduzida disponibilidade destes equipamentos constitui uma forte barreira à utilização de tecnologia nas escolas, pelo que é necessário reforçar a sua dotação;
• no que à conectividade diz respeito, grande parte das escolas regista velocidades de acesso limitadas; de igual modo, um número elevado de computadores (mais de 20 000) não está ainda ligado à Internet. Observa-se, também, que mais de 2/3 das escolas contratam mais do que um acesso à Internet, o que representa uma potencial duplicação de custos na ordem dos 20%. É importante rever o actual modelo de conectividade dos estabelecimentos de ensino para assegurar níveis de serviço adequados e eficiência dos investimentos;
• apesar de mais de 90% das escolas possuírem redes locais, observam-se insuficiências em 30% dos estabelecimentos de ensino. As redes de área local cresceram de forma ineficiente e não estruturada e, na maior parte dos estabelecimentos, encontram-se confinadas a áreas pré-definidas e limitadas, restringindo a utilização, pelo que é crucial a sua requalificação;
• os níveis de utilização das TIC em Portugal são muito inferiores aos dos países da UE15; a reduzida disponibilidade de equipamentos para utilização livre de docentes e alunos é uma das principais barreiras à utilização apontadas. Daí a importância da disponibilização de computadores, do acesso à Internet e de impressoras fora dos períodos de aula;
• apesar de praticamente todas as escolas utilizarem equipamentos informáticos na gestão, apenas 32% das escolas possuem intranet (vs. 60% a 70% das escolas nos países da UE mais avançados), sendo importante promover a implementação desta ferramenta para acelerar a adopção de tecnologia e aumentar a eficiência da gestão.
• observa-se também uma oportunidade para generalizar a utilização de plataformas de cartões de aluno. A implementação destes sistemas resulta em aumento da segurança e ganhos de eficiência importantes para as escolas e gera utilização de tecnologia pelos agentes. Actualmente, 58% das escolas têm implementadas plataformas de cartões de aluno mas observam-se ineficiências no actual formato de implementação dos sistemas, assim como um leque limitado de serviços disponibilizados. É importante generalizar a todas as escolas a utilização destas plataformas e das funcionalidades chave associadas – como o controlo de acessos e o porta-moedas electrónico –, e assegurar que as mesmas sejam compatíveis entre si para permitir o acompanhamento da informação do aluno ao longo do seu ciclo de vida na escola;
• por último, o aumento considerável do parque de equipamentos de elevado custo nas escolas veio, por um lado, reforçar a necessidade de protecção contra furtos e vandalismo e, por outro lado, proporcionar a oportunidade de alavancar nas novas tecnologias a preocupação crescente com a segurança nas escolas. Actualmente, apenas metade das escolas (49%) dispõe de sistemas electrónicos de segurança, observando-se ineficiências no modelo de operação e gestão dos mesmos, o que enfatiza a necessidade de endereçar as preocupações de segurança e de fazê-lo de forma integrada com as restantes iniciativas de modernização tecnológica das infra-estruturas escolares.” (…)  Documento Integral

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Sobre Jorge Borges

Professor.
Esta entrada foi publicada em Educação, Formação, Internet, Recursos, Sociedade da Informação, tecnologia, TIC. ligação permanente.

Uma resposta a Estudo de Diagnóstico: a modernização tecnológica do sistema de ensino em Portugal

  1. O Ministério continua no seu melhor de incompetência. Continua pois a ignorar que a razão principal dos problemas do nosso ensino escolar, causadora de todos os outros problemas: um paradigma viciado, que foi imposto a este sistema, quando há 30 anos prescindiram de desenvolver as capacidades de memorização dos alunos. Este paradigma ridículo está a ser reforçado nos seus efeitos nefastos pelo método global de ensino de leitura, que deixa mais de metade dos alunos sem capacidade de ler.
    Estes assuntos estão discutidos em mais pormenor no nosso blog, onde igualmente propusemos as medidas que permitam reconstruir o ensino escolar.
    Quanto aos computadores e calculadoras, até agora têm mais atropelado de que ajudado à aprendizagem, pois sustentam a ideia que é possível nada saber, e conseguir deduzir tudo logicamente, como afirma o referido paradigma.

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