O êxito do You Tube e dos blogs prova o valor da simplicidade

Jacob Nielsen, um dos homens que mais influenciou a Internet, aposta na democratização da Rede

LUZ FERNÁNDEZ – Madrid – 29/10/2007

JB

Jacob Nielsen é um dos homens que mais influenciou a construção da Internet tal como a conhecemos, pois marcou as tendências de desenho seguidas pelos principais sítios web. Todas as suas teorias giram em torno da facilidade para conseguir que o utilizador possa encontrar o que procura de um golpe, e saiba navegar num sítio desde o primeiro momento em que acede a ele. O êxito dos blogs e de sítios como o YouTube, que democratizaram a publicação de conteúdos na Internet, vêm a confirmar as teorias de Nielsen, que fez no passado domingo uma conferência em Barcelona, organizada pela sua consultora especializada em usabilidade.

P: Quais os três erros que deveria evitar a todo o custo qualquer página web?

R: O oposto às três características que mencionei como exemplo de boa usabilidade:

(a) Navegação difícil e uma organização da informação confusa que se estruture de acordo com os critérios da companhia em vez de pensar no utilizador. Isto dificulta encontrar qualquer cosia num sítio web e faz com que as pessoas desistam rapidamente.

(b) Um conteúdo marketiniano (escrito em linguagem de marketing, disfarçando as palavras e exagerando ao máximo as bondades dos produtos) mas pobre em informação específica que é o que os clientes querem. Por exemplo, um sítio que não mostra o preço entre as primeiras coisas.

(c) Transacções complicadas que exigem ao utilizador seguir muitos passos para conseguir os seus objectivos. Por exemplo, um sítio de comércio electrónico que requer do utilizador que se registe, eleja um nome e uma contra senha antes de poder ver o quer que seja. Imagina que a loja da esquina te pedia uma contra senha antes de vender-te um tomate.

P Que páginas web nomearia como exemplos de usabilidade a imitar?

R: Quase todos os grandes web sites são bons exemplos de usabilidade: Google, Yahoo, eBay. Amazon.com, Craigslist. Viram-se forçados a ser bons porque era a única forma de poderem fazer crescer a sua base de utilizadores.

Desgraçadamente, hoje, não creio que a Amazon.com seja um grande exemplo de usabilidade. Inserem demasiadas características nas suas páginas. Este desenho funciona bem para a Amazon porque é uma companhia conhecida onde as pessoas compraram muitas vezes no passado. Para a Amazon é provavelmente mais importante oferecer muitas opções aos utilizadores experimentados do que atrair novos utilizadores. Mas a maioria dos web sites só tem uma pequena fracção dos clientes aos que potencialmente poderiam oferecer serviço, pelo que deveriam dar maior prioridade à simplicidade para os novos clientes.

P Continua a pensar e a defender que os utilizadores lêem uns 25% mais devagar nos ecrãs dos computadores agora que a maioria já usa os 1024 pixeis?

R: A leitura nos ecrãs dos computadores melhorou à volta de uns 8%, mas não é muito tendo em conta que os monitores são maiores. O uso de monitores de ecrã plano e da tecnologia de fonte como ClearType em Windows XP e Vista que ressaltam os caracteres foram os principais motores desta melhoria.

Os ecrãs maiores têm a vantagem dos utilizadores poderem explorar através de mais opções sem fazer scrolling e isto acelera a interacção. Sem dúvida, necessitamos de monitores que sejam muito maiores do que 1024×768 pixeis para que num ecrã tenhamos mais informação do que numa página de periódico.

Uma vez que é mais lento utilizar os computadores que o papel os utilizadores preferem não ler textos muito longos online.

P: Cada vez se usam mais vídeos e imagens nos sítios web. Acredita que esta tendência contradiz a sua teoria da simplicidade?

R.: É possível usar tanto fotos como vídeos e ter um sítio simples. As pautas originais da usabilidade no contexto Web de 1994 são muito negativas no que se refere ao uso de gráficos e vídeos, na medida em que as imagens grandes têm um tempo de descarga maior e que os vídeos se viam mal em janelas do tamanho de um selo, que eram o possível havia já algum tempo. Agora com maior largura de banda e uma melhor tecnologia de vídeo é possível utilizar mais este tipo de meios. Isto não muda o facto de que deveríamos utilizá-los de uma forma razoável. As páginas repletas de vídeos só funcionam para sítios específicos de vídeos e não para sítios web de instituições públicas ou de empresas.

P.: Acredita que as redes sociais, donde os utilizadores são os próprio criadores de conteúdo, deveriam seguir as regras da simplicidade?

R.: É verdade que há muito conteúdo gerado pelos utilizadores, e que o crescimento deste conteúdo prova definitivamente o valor da simplicidade, porque a explosão de escrever na Internet tem a sua origem quando os serviços dos weblog se tornaram simples assim como a explosão do vídeo se produziu quando o YouTube facilitou a publicação de vídeos na Internet. Todo isto foi possível no passado mas, com uma menor usabilidade, de forma que muito pouca gente contribuiu com o seu conteúdo.

O que é mais questionável é quanta gente utiliza o volume de conteúdo gerado pelo utilizador. A maior parte deste conteúdo não gera na realidade muito tráfego porque é demasiado caótico e não é suficientemente interessante para os outros utilizadores. Se alguém quer gerar tráfego para os seus conteúdos, então eles têm que seguir as normas da usabilidade, da mesma forma que o faz qualquer outro sítio web. Mas se te conformas com o chegar aos teus cinco melhores amigos, então, a usabilidade não é importante: eles já te conhecem e entendem a informação, inclusive se não é compreensível para os novos utilizadores.

P.: Que tendências vão marcar o futuro da Internet?

R.O utilizador móvel será importante. Admito que venho dizendo isto desde há vários anos e o utilizador móvel de serviços web é todavia uma pequena parte. A tecnologia já está quase, com as redes 3G suficientemente rápidas e alguns smartphones. O que falta são os bons serviços desenhados especificamente para os utilizadores móveis. Não podemos escolher um sítio web já estabelecido e aceder a ele através do telefone; necessitamos de versões mais reduzidas dos sítios que só se centrem naqueles serviços que saõ mais úteis para o utilizador móvel.

http://www.elpais.com/articulo/internet/exito/You/Tube/blogs/prueba/valor/simplicidad/elpeputec/20071029elpepunet_1/Tes

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Sobre Jorge Borges

Professor.
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