Os “emoticons” fazem 25 anos

O professor Scott Fahlman usou-os pela primeira vez para evitar confusões nas mensagens académicas – Os símbolos de signo ASCII evoluíram – As mensagens têm ganho, cada vez mais importância.

Os emoticons esses signos simples que expressam um estado de ânimo, completam este mês 25 anos. No período pré-diluviano da Internet, em 19 de Setembro de 1982, Scott Fahlman, um professor de Informática da universidade norte-americana Carnegie Mellon sugeriu usar o símbolo 🙂 para sublinhar que o comentário de uma mensagem estava expresso com ironia. A ideia teve êxito entre os seus colegas, que enriqueceram rapidamente o dicionário de ícones. Naquele tempo, a Internet era uma rede minoritária, académica, e os seus pioneiros utilizavam os online bulletin boards para comunicar entre si. Quando a Internet cresceu, os internautas adoptaram estes códigos para sublinhar o sentido das suas mensagens.

 

 

 

Meio a sério

Escritos com os símbolos ASCII, dado que o emoticon inicial era o de um rosto sorridente, estes novos ícones passaram a denominar-se com o nome de smileys (sorrisos).

O próprio Scott E. Fahlman publicou na Rede o relato da sua invenção. Pensou-o para evitar sarcasmos nas mensagens, que podiam multiplicar as respostas igualmente sarcásticas e fazer esquecer o tema principal e porque alguns leitores pouco habituados podiam interpretar seriamente o que era uma nota humorística.

“Este problema levou-nos a sugerir que talvez fosse uma boa ideia marcar explicitamente as mensagens que não deviam levar-se a sério”. Sem poder recorrer à linguagem corporal o ao tom de voz, vários autores sugeriram distintas soluções: “No meio desta discussão ocorreu-me que a sequência 🙂 seria uma solução elegante”. Na mesmo mensagem propus o signo 😦 para indicar a seriedade do mesmo.

A mensagem inicial perdeu-se com as mudanças de formatos no sistema de comunicações da Carnegie Mellon, mas ao fim de alguns anos, a Microsoft patrocinou uma expedição arqueológica para descobrir onde estavam guardado esse símbolo, bem como um sistema para descodificar o formato obsoleto.

Falhman insere no seu texto as críticas de aqueles que são de opinião que os emoticons são um recurso de maus escritores porque Shakespeare não precisou deles. “Porventura degradaram a nossa comunicação escrita”, admite o seu inventor, mas contra ataca recordando que nem todos somos Shakespeare nem o próprio Shakespeare empregaria a mesma prosa para queixar-se de que não há lugares de estacionamento no Globe Theater.

Por outro lado, argumenta, uma confusão sobre o sentido literário de uma obra não cria os mesmos problemas que um erro de interpretação de uma mensagem de difusão massiva. O seu texto termina com uma citação de uma entrevista a Vladimir Nabokov em que o escritor lamentava que não houvesse”um signo especial tipográfico para o sorriso -uma espécie de marca côncava-” para responder a uma pergunta do jornalista sobre como se distinguia no que respeita a outros escritores contemporâneos.

Hoje em dia existem quilométricas compilações de emoticons, uns abecedários que tentam desenhar (representar) todo o tipo de sensações e matizes.

A popularização de ferramentas para o desenho gráfico ou a edição fotográfica e a melhoria das ligações na Internet facilitaram una evolução gráfica daquelas primeiras composições de signos ASCII.

Por outra lado, existe o mundo das ligações com voz e imagem que não precisam emoticons. Sem dúvida, o antropólogo e director do Observatório da Cibersociedad, Joan Mayans, considera que continuam muito vivos. “Empregam-se basicamente meia dezena, que são os que toda a gente reconhece sem necessidade de consultara reportórios para decifrar o seu significado. Os que no podem interpretar-se de imediato não funcionam tanto como reforço comunicativo”. Mayans considera que os emoticons não têm nada que ver com os avatares, com o que o internauta cria um duplo de si mesmo e no qual pode escolher sexo, aparência, roupa. “O avatar é uma ferramenta de personificação e o emoticon é um recurso de comunicação”.

Linguagem complementar

Em 2005, os estudos da AIMC sobre os usos da Internet diziam que que 34% dos internautas espanhóis usavam habitualmente emoticons e 29% usava-os ocasionalmente.

Na opinião de Nicole Etchevers, que cita este dado na Revista Electrónica Teoría de la Educación, “estes emoticons cumprem uma função informativa e complementar das palavras, como o faz a comunicação não verbal (…) “O que deve ficar claro é queos emoticons em nenhum caso cumprem uma função “substituinte da linguagem corporal”, mas acrescentam informação à comunicação.

Com a chegada das actuais ferramentas gráficas, a comunicação emocional não se limita a estas analogias da gestualidade humana. Na Universidade de Pittsburgh, por exemplo, desenvolveram um programa, Face Alive Icons, que permite dar automaticamente a uma única foto do internauta, de preferência com uma expressão neutral, uma determinada expressão emocional dentro de um espectro de opções.

Contudo, os emoticons continuam aí e Mayans considera que adquiriram uma nova importância com as mensagens (sms) dos telemóveis.

 

O outro ‘smiley’

 

O primeiro emoticon tem uma certa semelhança, na sua simplicidade, com um dos ícones mais conhecidos utilizados na publicidade e na iconografia militante: um círculo amarelo com uma cara sorridente desenhada com três traços. Mas este é anterior. Este símbolo do optimismo data de 1963 e foi criado por Harvey Ball, proprietário de uma agência de publicidade, para levantar a moral dos trabalhadores de duas companhias de seguros que acabavam de ser fundidas.

Leituras complementares:

www.usal.es/~teoriaeducacion/rev_numero_07_02/n7_02_nicole_etchevers.pdf

Alternativa aqui.

SCOTT E. FAHLMAN: http://www.cs.cmu.edu/~sef/sefSmiley.htm

Texto original aqui.

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Sobre Jorge Borges

Professor.
Esta entrada foi publicada em Formação, Sociedade da Informação, TIC, Web. ligação permanente.

Uma resposta a Os “emoticons” fazem 25 anos

  1. julifuly diz:

    nao entendi estremamemte chato chatissimo!!!

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