ENTREVISTA: NICHOLAS NEGROPONTE Fundador de ‘Um portátil por criança’

Pergunta.  Qual é o balanço que faz, depois destes dois anos?

Resposta. Há duas formas de vê-lo. Uma é a aceitação que teve o conceito de “um portátil por cada criança”, que foi fantástica. Do ponto de vista da produção dos computadores, sem dúvida, eu esperava que os tivessemos já. Mas é duro. Sou muito bom a vender ideias, mas não sou tão bom a vender portáteis. Não sou um comerciante. No fim do mês criaremos uma organização muito mais eficiente, com uma equipa executiva que conduza a ideia.

P. E por que está a ser tão difícil?

R. Há duas razões. Uma é que elegemos o caminho mais difícil: negociar com os governos para introduzir os portáteis na educação pública. Inclusivé as administrações mais positivas, como a do Perú, são lentas. E a outra razão é que não pensava que ia acabar pegando-me com empresas. Eu não tenho accionistas, tal como não tenho que vender portáteis. Mas sim, vou ao Lula e digo-lhe “deverias ter um milhão de portáteis”, e depois una companhia dirige-se ao ministro de Educação e diz-lhe “como não sabe se isto de Negroponte vai funcionar, compre-nos 20.000 a nós e prove”, no final haverá 980.000 crianças sem portátil. E isso é muto desencorajador, porque às vezes não é que a companha queira vender esses portáteis; é só que não quere que nós os vendamos.

P. Crê então que um dos problemas da sua iniciativa foi o projecto de Intel?

R. Sem dúvida alguma.

P. Muita gente se pergunta por que necessitam as crianças  de um portátil se não têm água potável, nem comida, nem electricidade.

R. Sustitua a palavra “portátil” dessa frase por “educação”. Este PC é um livro electrónico, e as crianças podem aprender idiomas, comunicar com outras crianças, aprender programação… Ninguém acredita que haja que eliminar a educação por não haver água potável.

P. Estas crianças que nunca viram um computador, necessitam professores para aprender a usá-lo?

R. Quando as pessoas me perguntam quem vai ensinar os professores a ensinar às crianças como usar o portátil pergunto-me em que planeta vivem. Porque qualquer um que tenha um problema com o seu PC ou telemóvel o primero que faz é perguntar ao seu filho. Inclusive as crianças que nunca viram un PC demoram minutos a saber como usá-lo.

P. Há quem diga que a solução da brecha digital no Terceiro Mundo é o telefone móvel.

R. Ninguém pensa isso realmente. Os móveis são bons no que fazem, mas ninguém quer ler um livro num telemóvel.

P. Concretizar-se-á o seu sonho de que cada criança tenha um portátil?

R. Sim, sem dúvida. Não sei si isso demorará cinco ou dez anos, mas não posso imaginar um mundo em que, dentro de 20 anos, cada criança não tenha um portátil.

Notícia integral  por PATRICIA F. DE LIS – Madrid – 10/07/2007

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Sobre Jorge Borges

Professor.
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