Um documento da ONU revela enormes diferenças mundiais, sobretudo no acesso à Internet
A penetração das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) a nível mundial segue imparável , ainda que de forma desequilibrada, com 4.000 milhões de subscritores da telefonia móvel, 1.300 milhões de linhas fixas e cerca de um quarto da população a utilizar a Internet.
Assim o revelam os dados publicados hoje pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), uma agência técnica da ONU, que realça que pese o alto crescimento do sector “persistem grandes diferenças entre regiões e entre países industrializados e em desenvolvimento”.
Segundo estatísticas de finais de 2008, registou-se uma clara mudança de tendência da telefonia fixa para a móvel, com três vezes mais de subscrições deste último tipo em relação às linhas tradicionais a nível mundial, cuja percentagem de crescimento praticamente estancou nos últimos anos.
No mundo em desenvolvimento, a expansão dos móveis foi exponencial e já representa dois terços do total da telefonia, quando era menos da metade em 2002.
Por zonas, África é a área em desenvolvimento com o maior crescimento da telefonia móvel (32% entre 2006 e 2007).
Em 2001 só uma pessoa em cada cinquenta tinha um telemóvel, enquanto que actualmente são 28% da população.
Na Ásia a penetração dos telemóveis é de 38%; de 72% na América e de 111% en Europa.
Grandes diferenças na Internet
Sobre a Internet, o estudo da (UIT) assinala que 23 em cada 100 pessoas no mundo utilizam a Rede, ainda que os níveis de utilização sejam muito altos nos países ricos a extremamente baixos nos pobres.
Neste âmbito a chamada brecha digital é muito clara, pois enquanto os utilizadores desta tecnologia na Europa e América são respectivamente de 43 e 44% da população, na Ásia é cerca de 15% e em África é menos de 5%.
Com estes dados, os especialistas da UIT elaboraram um índice de desenvolvimento no âmbito das TIC, que compara a informação de 154 países no período compreendido entre 2002-2007 e combina indicadores como o número de lugares que contam com um computador ou com os utilizadores da Internet, entre outros.
Todos os países à cabeça são do norte da Europa, com a excepção da Coreia do Sul que está na segunda posição.
A Suécia lidera o índice, a Dinamarca ocupa o terceiro lugar e seguem-na a Holanda, Islândia, Noruega, Luxemburgo, Suíça, Finlândia e Reino Unido.
Brecha digital, inalterável
O estudo deixa clara a relação entre a expansão das TIC e o nível de entrada, mas também revela que vários países em desenvolvimento -como o Paquistão, China e Vietname- avançaram consideravelmente neste sector, particularmente pela multiplicação de utilizadores de linhas de telemóveis.
Mesmo assim, sustenta que “a magnitude da brecha digital global se manteve inalterável entre 2002 e 2007″, apesar das mudanças significativas no mundo em desenvolvimento, o que se associa aos custos que têm essas tecnologias.
Em 2008, as tarifas das TIC correspondem em média a 15% dos ingressos per capita dos países, mas com grandes diferenças entre os pobres e ricos.
Para os habitantes do mundo industrializado esse custo representa só 1,6% das suas entradas, enquanto que nos de menores entradas pode supor os 20%.
A isto se soma que “os países com altos níveis de entradas pagam relativamente pouco pelo telefone fixo, móvel ou o acesso à Internet, enquanto que os mais pobres pagam relativamente mais, frequentemente pelos altos preços da banda larga”.
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RS (DOCTORICES)