Filhos e pais face à multiplicidade de ecrãs (Estudo-França)
Maio 17, 2008 por Jorge Borges
Estudo - Cada casa dispõe, em média, de uma dezena de ecrãs, nos quais as crianças dos 6 aos 11 anos passam a maior parte do tempo de lazer.
Televisão, computador, consola de jogos, telefone móvel… em média uma família francesa onde vive uma criança de 6 a 11 anos dispõe de 10 ecrãs, segundo um inquérito TNS Sofres efectuado de 17 a 24 de Março.
O uso feito pelas crianças é intensivo: 45% das crianças dos 6 aos 11 anos consagram a maior parte do seu tempo ao lazer. A quase totalidade -97%- é passado a jogar jogos de vídeo numa consola e 16% utilizam já um telemóvel.
Este estudo sublinha uma ambivalência parental face a estas múltiplas solicitações. Por um lado, felicitam-se pela proficiência com que manipulam a tecnologia que consideram “necessários à integração e à sua adaptação ao mundo contemporâneo“. Por outro, eles estão inquietos perante os riscos e a dificuldade em controlar as suas crianças face aos ecrãs.
<Pobreza educativa>
O receio maior é representado pela exposição à violência e à pornografia via Internet (66% das respostas). TV e jogos são considerados pelos pais passíveis de maior controlo. Apesar de fomentarem o isolamento, o afastamento da família. A quase totalidade dos pais (99%) declara utilizar pelo menos um meio de controlo do consumo dos seus filhos. O meio privilegiado é a limitação do tempo passado à frente dos ecrãs e no que respeita à TV controlam os programas que vêem. Em relação à Internet, o controlo exerce-se sobretudo pela utilização na presença de um adulto. Uma família em duas declara usar um programa de controlo parental, mas, precisa o estudo, <quase sempre desactivado>.
Os pais apreciam as mudanças intergeracionais proporcionadas pelos momentos passados frente aos ecrãs. A TV é propícia à discussão familiar para 74% das pessoas interrogadas, e a Internet é considerada como útil por <fazer descobrir novas coisas>. Os pais lamentam a <pobreza educativa> que circula por todos os ecrãs, onde o <jogo e a diversão são largamente dominantes>.
[in Le Monde ( 17.05.08 ) Artigo de Sylvie Kerviel. Pág.ª 31]