A Escola do Futuro, Hoje.

Exponor. Porto. 18.55h no Alfa Pendular para Lisboa.

A convite da Cnotinfor, acabo de participar num debate sobre aquela que será, que poderá ser, a Escola do Futuro. A metodologia passou pela intervenção inicial de cada um dos membros do painel, seguida de debate aberto com a plateia. Começou às 14.15h e terminou pelas 16.35h.

Muito, mas mesmo muito interessante. A lamentar só mesmo o reduzido número de pessoas presentes. Desconhecimento ou simples desinteresse pelo tema? Apercebo-me agora, que se debatem cada vez menos, assuntos que a todos interessam. Terá alguma coisa a ver com o quê? Com o cansaço generalizado das gentes? Com a falta de fé (…)? Com um desencanto que se adivinha em cada um e se verbaliza nas viagens de táxi?

Afirmei que a escola, como instituição que é, é conservadora por natureza. Por isso não tolera rupturas. A mudança deve ser lenta e muito sustentada… Tem que ser feita com o apoio dos actores. Sob pena de recuarmos gerações.

O papel dos principais intervenientes, governo e ministério, é o de apoiar, é o de, na medida do possível acelerar a mudança, com cautelas.

Referi, por isso, que o factor humano, os recursos humanos são a chave.

Falei da Sociedade de Informação em que vivemos, do novo papel e dos novos saberes dos professores. Falei do papel da escola como mediadora entre a informação e a sociedade do conhecimento.

Falei da formação ao longo da vida imposta pela renovação acelerada dos saberes. Formação dos professores, das Universidades.

Não mencionei e devia tê-lo feito, a premência da actualização dos currículos da licenciaturas Via Ensino. Urge ensinar com a Rede e para a Rede. O que dramaticamente nunca se fez com a TV, com as consequências sociais que vemos todos os dias, e se pensarmos que os nossos alunos/filhos ainda hoje passam mais de 4h a ver TV, por dia. Sem mediação ou sentido crítico…

A escola exige novos perfis, novos saberes da parte dos professores. Há competências que devem trazer quando chegam à escola. Nomeadamente a de auto formação. A da aprendizagem em rede, a do trabalho em rede.

Disse entender que a escola deve preparar os alunos para as necessidades impostas pela sociedade, pela vida real e activa, no mercado, o resto parecem-me flores. Poucos vivem da poesia.

Mas, mesmo para estes últimos, a Universidade do nosso tempo promove, para os que querem aprender desinteressadamente, sem passar canudo ou qualquer certificado, a aprendizagem aberta via Rede. Podendo inclusive assistir-se às aulas e a todos os conteúdos ministrados presencialmente. A Rede ao serviço da educação, da sociedade.

Não disse, mas penso, que a pedagogia deve ser ministrada aos futuros professores nas universidades… que as universidades, entre nós, estão velhas como a história. Fechadas. Perdem-se nas citações de há séculos… As mais recentes seriam, são mais válidas em virtude de, efectivamente, hoje vivermos na Aldeia. São importantes e reveladoras de um saber livresco, porque a maioria das vezes ficam-se por aí. Referências a outros tempos e baseadas em outras realidades, contextos e gentes. É, hoje, muito pouco. É preciso inovar, alimentar a criatividade, responder às necessidades concretas da sociedade. Com recurso à Rede é mais fácil conseguir este intento. Como vemos.

Falei da escola a tempo inteiro que, tudo indica, se irá generalizar, por cá e em todo o mundo ocidental. Falei da formação permanente e ao longo da vida. Falei no ensino, que terá a ser cada vez mais individualizado/personalizado. Falei de um grau de exigência que se deve reflectir na formação e na sala de aula e que a tecnologia permite. Contrariei o facilitismo e o aprender a brincar porque entendo se paga caro.

Falei da tecnologia como mais um recurso, cada vez mais o recurso. Falei do Plano tecnológico, daquilo com que poderemos contar, e que temos que ter em conta. De como a escola está a ser desenhada.

Insisto. A Escola do futuro tem a Rede como suporte. Há que preparar os professores para serem capazes de a usar do ponto de vista educativo. A evidência é esta. São eles que mandam, que dirigem a sala de aula.

Disse: A Escola do Futuro é Aquela em que a Tecnologia é Invisível.

About these ads

Sobre Jorge Borges

Professor.
Esta entrada foi publicada em Educação, Formação, Portefólio pessoal, Sociedade da Informação, Web. ligação permanente.

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s