-No outro dia perguntei como desenharia uma comunidade ‘on-line’ ideal, e chegaram bastantes sugestões. Toca a resumi-las. Partirei das ideias que já apontei no comentário anterior e juntar-lhe-ei as vossas e mais algumas que entretanto me ocorreram. Ponto por ponto:
- Que esteja centrada num objecto social definido (vídeo, áudio, relações profissionais, livros, música, cinema…). O que não quer dizer que este objecto não possa subdividir-se. De facto, seria positivo que o fizesse, pis os utilizadores com interesses ainda mais específicos encontram-se mais facilmente.
- Que seja gratuita e sem publicidade intrusiva.
- Que as direcções URL dos ‘objectos’ sejam fáceis, curtas e fixas para que se possam partilhar.
- Que seja fácil ‘etiquetar’ os conteúdos para tê-los localizados e organizados.
- Reconhecimento. Premiar os utilizadores mais participativos destacando a sua participação e facilitar que qualquer um possa chegar até aí, o que cria uma grande sensação de pertença. Deste modo oferece-se reciprocidade: eu publico algo porque sei que os demais farão o mesmo, o que me enriquece.
- Eficácia. Saber que se vai encontrar o que se procura de forma fácil e que, da mesma forma, se pode facilitar informação ao mundo, facilmente.
- Facilitar o processo para que os utilizadores contribuam para o desenvolvimento da comunidade.
- Permitir que os utilizadores possam comunicar entre si. Há quem aposte em fóruns ou sistemas de correio interno. Outros, em listas de correio. Eu desejaria os fóruns, e não me pareceria mal algo similar a uma lista de correio interna de fácil actualização.
- Segurança. Um aspecto fundamental é fazer com que os utilizadores se sintam bem. Que confiem no sítio e nos seus responsáveis. Que, para além disso, saibam que estará livre de ‘trolls’ e personagens chatas. A segurança dá confiança, e isso atrai.
- Gerar interacção com a vida real, ou pelo menos dar a possibilidade a quem assim o deseje de fazer ‘vida de comunidade’ na rua. É algo especialmente útil para comunidades muito locais e, em todo o caso, os utilizadores sabem organizar-se sózinhos nesse sentido, se se lhes disponibilizam as ferramentas adequadas.
- Livre e sem censura, mas moderada. Os utilizadores são muito sensíveis. Ao menor sinal de censura, ou protestam, ou vão-se embora. O ideal é manter uma certa moderação para dar segurança, mas sem censurar. Um equilíbrio difícil de atingir, daí que a auto-moderação não seja às vezes um mau recurso.
- Os utilizadores surpreender-te-ão sempre. Quer dizer, que nunca saberás como vai funcionar uma comunidade ‘on-line’ enquanto não esteja na Rede. E na maioria dos casos não a usará como o havíamos previsto, mas sim como os utilizadores queiram, para o bem e para o mal, vai-se sempre atrás deles.
São só algumas das ideias -há muitíssima documentação sobre o tema-. E não estão nada mal como ponto de partida. De todas elas, o fundamental não é outra coisa que não seja o conseguir que o utilizador se sinta parte da nossa comunidade. Deste modo contribuirá para o seu desenvolvimento, atrairá novos utilizadores e não fugirá para outros sítios onde se sinta mais querido. Fidelização, ao fim e ao cabo. O resto consiste em ser atractivo e disponibilizar as soluções técnicas adequadas.
E nem assim estará o êxito assegurado. A Rede é muito caprichosa, e nunca se sabe quando tempo se tem o favor dos internautas, que não resistem à paixão e te podem recusar por qualquer razão e quando menos se espera.
1 de Setembro de 2007.- in El Mundo